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Funcionalidade de raciocínio clínico

Guia de uso

Este guia apresenta o ciclo completo do raciocínio clínico no Divan: da preparação do caso ao que será acompanhado nas sessões e levado para supervisão.

O Divan ajuda a organizar e relacionar seus registros. A leitura e a decisão clínica continuam sendo suas.


1. Antes de começar

Para usar o raciocínio clínico, você precisa ter pelo menos um paciente cadastrado e algum material clínico sobre ele. Na tela Pacientes, você pode criar um cadastro ou abrir um paciente existente.

Escolha ou cadastre o paciente

  1. Se ainda não houver cadastro, clique em Adicionar paciente.
  2. Se o paciente já estiver cadastrado, clique em seu nome para abrir o prontuário.
  3. Acesse Raciocínio clínico e selecione esse paciente no Canvas.

O raciocínio clínico é sempre construído para um paciente específico. Por isso, confira o nome selecionado antes de preparar ou editar qualquer conteúdo.

2. Reúna uma base clínica útil

O Divan utiliza os documentos do prontuário para preparar a formulação e o plano. Notas de sessão, formulações anteriores, relatórios, laudos e pareceres costumam oferecer os sinais clínicos mais relevantes.

Não existe um número único e obrigatório de documentos para todos os casos. O que importa é haver material suficiente para reconhecer a demanda, os padrões observados, as hipóteses e a direção do trabalho.

Como referência prática, uma base com pelo menos duas peças clínicas consistentes costuma permitir um plano mais bem sustentado. Com menos material, ainda é possível começar pela sua visão clínica; o resultado será apresentado como inicial e revisável.

Quando a base já reúne três documentos clínicos elegíveis, cinco documentos no total ou um volume equivalente de texto, o Divan pode considerar que há material substancial e tornar sua orientação inicial opcional. Isso não substitui sua revisão.

Se faltarem registros, use Adicionar registros. Se quiser começar mesmo assim, escolha Começar pela minha visão clínica.

3. Prepare primeiro a formulação do caso

No Canvas, a Formulação do caso vem antes do plano de tratamento. Ela reúne a compreensão clínica que dará direção às áreas de acompanhamento.

Visão geral do Canvas

Clique em Preparar formulação. O diálogo é organizado em três momentos:

  1. Direção — O que orientar na formulação do caso?
  2. Revisão — Leitura clínica
  3. Complementos — Perguntas de refinamento

O que escrever em “Visão clínica do caso”

Registre como você entende o caso até aqui. Pode ser breve e provisório. Um bom ponto de partida inclui:

  • a queixa principal ou o motivo da busca;
  • padrões que se repetem nas sessões ou relações;
  • hipóteses clínicas que você está considerando;
  • contexto de vida relevante para a compreensão atual;
  • dúvidas, contradições e pontos ainda em aberto;
  • a direção que você deseja preservar no trabalho.

Evite apenas repetir fatos do cadastro. Prefira explicar o que esses fatos parecem significar clinicamente e deixe claro quando algo ainda for hipótese.

Exemplo: “A paciente procura atendimento após uma mudança familiar. Tenho observado dificuldade em sustentar limites e tendência a assumir responsabilidades pelos outros. Ainda preciso compreender como esse padrão aparece no trabalho e nas relações mais próximas.”

Se os documentos já forem consistentes, esse texto pode ser opcional. Com material parcial ou sem documentos, sua visão clínica ajuda o Divan a preparar uma primeira leitura.

4. Revise as lacunas e responda aos complementos

Na etapa Revisão, confira a leitura clínica proposta. Observe se ela diferencia fatos registrados, padrões recorrentes e hipóteses provisórias.

Quando houver lacunas, a etapa Complementos apresenta perguntas de refinamento. Elas não são um questionário padronizado: surgem a partir do que está ausente ou pouco sustentado nos registros.

Ao responder:

  • dê uma ou duas frases clinicamente úteis;
  • cite observações concretas quando possível;
  • indique se a informação foi relatada pelo paciente, observada em sessão ou inferida por você;
  • escreva “ainda não observado” quando não houver base para responder;
  • não preencha uma lacuna com certeza artificial.

Você pode pular uma pergunta. Nesse caso, o ponto permanece sinalizado como lacuna clínica para revisão futura. Ao final, use o campo de observações para registrar hipóteses provisórias ou cuidados que não apareceram nas perguntas.

Os níveis Inicial, Provisória, Bem sustentada e Consistente indicam o quanto a formulação está apoiada no material disponível. Eles não avaliam a qualidade do seu trabalho clínico.

5. Prepare o plano de tratamento

Com a formulação pronta, use Preparar áreas no instrumento Plano de tratamento. O Divan relê a formulação e os registros para organizar áreas de acompanhamento e ligar cada área às suas evidências.

Uma base bem sustentada costuma reunir a formulação e pelo menos dois registros clínicos robustos, com conteúdo suficiente para reconhecer recorrências. Se houver apenas material parcial, o plano pode ser criado como inicial e revisável. Se faltar formulação ou não houver material clínico elegível, o Divan indicará o que precisa ser acrescentado antes de continuar.

Cada área pode reunir hipóteses, intervenções e planos de ação. Você pode revisar os textos, criar uma área manualmente e atualizar o plano quando a compreensão do caso mudar.

O plano organiza direções possíveis; ele não transforma todo o conteúdo do Canvas em prioridade de acompanhamento.

6. Revise o ponto que deseja acompanhar

Clique em uma hipótese, intervenção ou plano de ação para abrir seus detalhes. Antes de planejar, confira se o título e o conteúdo descrevem com clareza o que você pretende observar ou trabalhar.

Detalhes de uma intervenção

Você pode editar o ponto sempre que sua compreensão mudar. Isso atualiza a memória do caso sem transformar o conteúdo em foco de sessão por conta própria.

7. Escolha explicitamente o que acompanhar

Quando um ponto fizer sentido para os próximos encontros, abra-o e use Acompanhar nas sessões. O marcador Próxima sessão confirma que a escolha foi registrada.

Foco escolhido para acompanhamento

Você pode acompanhar mais de um ponto. O foco continuará aparecendo nas próximas notas de sessão até que você escolha Parar de acompanhar. Salvar uma nota ou registrar algo relacionado ao foco não o desativa automaticamente.

Parar de acompanhar não apaga o ponto clínico nem sua trilha no Canvas. Se ele voltar a ser relevante, você pode ativá-lo novamente.

Somente o que você planejou explicitamente aparece em Acompanhar hoje. A plataforma não tenta adivinhar seu foco.

8. Retome o plano ao escrever a nota

Ao criar uma Nota de sessão e associar o paciente, os pontos planejados aparecem em Acompanhar hoje, no início do editor.

Acompanhar hoje na Nota de sessão

Essa área funciona como lembrete clínico. Ela não cria texto na nota, não conduz a sessão e não substitui o registro profissional. Você pode fechá-la quando não precisar mais consultá-la.

Quando um foco não precisar mais permanecer nas sessões seguintes, use Parar de acompanhar diretamente no item. Essa ação retira apenas o lembrete: o ponto clínico e sua trilha continuam preservados no Canvas.

Durante a escrita, quando um trecho trouxer algo relevante para um foco ativo, selecione-o e escolha Registrar no foco ativo. O Divan cria o vínculo com o ponto clínico e mantém o texto original da nota no lugar.

9. Leve uma questão para supervisão

Em Raciocínio clínico → Supervisão, escolha o paciente, escreva a questão que deseja discutir e clique em Criar.

Área de supervisão

A função principal da supervisão é manter visíveis as questões clínicas que você deseja discutir fora da sessão. Use os estados Pendente e Discutido para acompanhar o que ainda precisa ser levado e o que já foi trabalhado.

A supervisão é uma trilha complementar. Criar ou discutir um tópico não altera automaticamente o plano de tratamento nem os pontos de Acompanhar hoje.

10. Mantenha o raciocínio clínico vivo

Depois da sessão ou da supervisão, volte ao Canvas quando algo mudar sua compreensão do caso:

  1. refine a formulação, uma área ou um ponto clínico;
  2. preserve o que ainda faz sentido na trilha do tratamento;
  3. escolha conscientemente o que deseja manter em acompanhamento;
  4. retome essa escolha na nota seguinte.

Assim, o Divan preserva a história do tratamento sem confundir memória do caso com prioridade do momento.


Conte como foi usar este fluxo

Depois de experimentar o ciclo completo, gostaríamos de ouvir você:

  • Ficou clara a ordem entre formulação e plano de tratamento?
  • As orientações ajudaram a escrever sua visão clínica?
  • As perguntas de refinamento fizeram sentido diante dos registros?
  • Ficou claro por que um ponto apareceu em Acompanhar hoje?
  • Ativar e parar o acompanhamento de um foco pareceu simples e seguro?
  • Ficou clara a diferença entre Canvas, Nota de sessão e Supervisão?
  • Em qual momento você sentiu falta de uma orientação?